quarta-feira, 16 de junho de 2010

Desejo

É fácil não querer saber,ter medo e fugir

Ser um personagem distante

É fácil beijar quem pouco te mexe

O difícil é tremer Desejar demais, arder em febre

Ter medo do que não se conhece

De descontrolar-se, de se perder, de se esquecer

Mas seguir adiante

Gelar as mãos Suar o rosto corado de sangue

Ridicularizar-se Palpitar o coração

Expor-se sendo homem ou mulher, às dolorosas boas penas

Se dar e às vezes se jogar a um desconhecido qualquer

Num gosto antídoto, intenso

Gostar do atrevimento e do profundo irrompendo

Fazendo-se viver realmente em dobro

Perceber o que não se fazia perceber

É um risco o provisório demais

Não ser radical e inteiro ao que pode o bem

O bom mesmo é viver a generosidade da entrega

Responder ao aperfeiçoamento que não havia ainda

A soma do que começa e do que finda

A vida e a morte quando se beija

Às vezes coragem é ficar de frente tremer e não correr perante o gigante

Se sentir inocente

Sonhar numa plenitude como se tivesse chegado a eternidade
E de nada mais importar-se

Falar palavras tontas numa dicção solene
Sentir o coração rebelde chocalhando, chamando

Querendo, pedindo, independentemente

E então não resistir à fome que a alma e o corpo temem

Se ver na letra que a música grita, que antes, careta, não se suportava

Num susto se percebe docemente que agora existe um único sentido

Uma resposta em nenhuma pergunta

Tudo se torna dele

Das intensidades do amor que vão da angústia à felicidade

E é talvez a única arte que a arte transmita ao homem em sua total integridade.

(Vanessa da Mata)

Nenhum comentário: